Aprender jogando: Que habilidades seus filhos podem desenvolver por meio dos videogames?

04 JUL 2022

Impulsionado por mais de três bilhões de jogadores em todo o mundo, o mercado de jogos está entre os setores econômicos que mais crescem. De acordo com Mihai Vicol, analista com foco nas tendências emergentes em jogos, uma das razões pelas quais essa indústria em constante transformação apresenta resultados tão positivos é a necessidade de expressão e identidade pessoais. Os jogadores tendem a se afastar do “mundo real” por um tempo, criando seu personagem dos sonhos. Esses avatares, porém, tornaram-se, nos últimos dois anos, muito mais do que um código digital. Passaram a ser um acesso para as crianças experimentarem algo especial – sozinhas ou com outras crianças que compartilham da mesma paixão. Jogar videogames não se trata apenas de se divertir e curtir a vida, como também experimentar e ultrapassar os limites da criatividade. “O ambiente do jogo é um contexto em que é possível experimentar e se conhecer”, afirma a psicóloga Jarmila Tomková.

Os jogos on-line podem ser um lugar de refúgio para crianças que se esforçam para fazer amigos e se encaixar. Um ambiente de jogos pode servir de auxílio na superação do medo de conhecer novas pessoas, oferecendo um espaço em que podem desfrutar da companhia uns dos outros. Ao promoverem a motivação para manter a atenção focada e compartilhar o interesse com colegas, os videogames também podem ser um auxílio às crianças afetadas por transtornos do espectro do autismo. Os amigos virtuais aprendem lições úteis, que podem ter grande relevância e trazer mudanças de vida, não apenas dentro do enredo do jogo, mas também na vida real fora da tela. O mesmo vale para as novas amizades. “Ainda que o ambiente de jogo seja virtual, o que uma pessoa experimenta em função desses estímulos é real, não virtual”, pontua Jarmila Tomková. “Esse ambiente oferece aspectos de identidade a serem explorados, vivenciados e acompanhados por emoções reais e são incluídos no autoconceito e na autogestão de uma pessoa, de forma que, de outra maneira, ela poderia não ser capaz de experimentar, perceber e incluir na sua vida. É um grande benefício para todas as crianças, especialmente aquelas que apresentam limitações.”

 

Algumas vezes, “são necessários dois”

Existem mais possibilidades nos jogos multiplayer do que parece. Podem ser um meio de aprofundar o seu relacionamento com seus filhos. A obra-prima do ano passado, chamada It Takes Two, é um exemplo perfeito de uma aventura familiar cooperativa, que só é possível viver junto de outra pessoa. É uma história original, repleta de ideias, e mostra a importância do trabalho em equipe. Os videogames multiplayer e cooperativos exemplificam o fato de que não há um “eu” na equipe. O trabalho em grupo é fundamental para ter sucesso na escola e nos hobbies. Assim como o basquete, esses jogos são um esporte de equipe, exigindo que as crianças trabalhem de forma colaborativa para alcançar objetivos comuns. Além disso, toda equipe precisa de um capitão. Os estudos realizados pelo Management Research Group, em 2013, mostraram que existe uma correlação entre os videogames e a melhoria nas habilidades de liderança e eficácia.

Alguns dos jogos on-line mais populares, incluindo o League of Legends, incentivam os jogadores a pensar com cuidado, analisar estratégias e tomar decisões rápidas. O ritmo acelerado de jogos como esses proporciona um espaço para a expansão do pensamento crítico e para desenvolver a capacidade de tomar decisões. Dar um salto de confiança para superar um problema específico pode ser empregado não apenas em um console de jogos, mas em muitas áreas da vida cotidiana. Não é uma surpresa que as empresas de esportes eletrônicos (e-sports) permaneçam integradas à cultura popular, e que alguns dos melhores jogadores do mundo estejam ganhando mais dinheiro do que atletas profissionais. Equipes de jogadores competem em torneios internacionais que são acompanhados por milhões de espectadores em todo o mundo. Isso mostra que, atualmente, os jogos significam muito mais do que apenas o ato de jogar.

 

Considerando as consequências

Os videogames de mundo aberto, como a série The Legend of Zelda, também podem ser consideravelmente benéficos para uma criança. Esse tipo de jogo é uma maneira excelente de experimentar uma aventura complexa. Os jogadores recebem inúmeras opções à medida que vão experimentando e explorando o jogo. Não é necessário seguir o enredo principal; cabe a cada jogador escolher o seu próprio caminho, individualmente. As crianças não apenas aprendem sobre as múltiplas opções que existem dentro de um jogo; a navegação no mapa virtual também testa as suas habilidades visuoespaciais. A história bem contada, ambientada em um universo belo e cheio de vida, incentiva os jogadores a ponderarem bastante sobre suas escolhas, pois as consequências afetam o restante da sua jornada. Além disso, a curiosidade é despertada, e eles cocriam a história por conta própria. “As crianças não apenas brincam e experimentam, mas também exploram o papel de cocriadoras competentes, proporcionando uma chance única de um modo seguro para treinar habilidades de vida, aplicáveis à realidade cotidiana”, reitera a psicóloga Jarmila Tomková.

 

Um playground virtual com amigos

Há muitas lições a serem aprendidas enquanto se joga um videogame original, que exige que os jogadores construam o seu próprio “mundo” e criem a sua própria abordagem do jogo. Não é apenas um caminho que leva a mundos fascinantes, mas uma oportunidade para treinar a criatividade e criar um cosmos inteiro do zero. Tomemos de exemplo de Minecraft, um jogo sueco, fácil, jogado por mais de 140 milhões de crianças e adultos em todo o mundo. Ele oferece um playground virtual que estimula a ampliação do pensamento “fora da caixa”, promovendo a liberdade criativa. Um estudo realizado por Matthew Barr, da Universidade de Glasgow, mostra que videogames comerciais como o Minecraft e o Portal 2 podem ter um efeito positivo na desenvoltura, adaptabilidade e habilidades de comunicação.

Não resta dúvidas de que jogar em excesso representa um grau de perigo para as crianças. Mudanças de humor e explosões de raiva frequentes podem ser consequências de passar muito tempo com um controle em mãos. Como em qualquer outra atividade prazerosa, os videogames elevam os níveis de dopamina no cérebro humano, podendo, em casos extremos, evoluir para uma forma de vício. Por outro lado, quando acessados e jogados com responsabilidade, os videogames podem oferecer grandes benefícios às crianças. Não importa se o jogo de que seus filhos gostam é categorizado como RPG (role-playing game), ação-aventura ou, literalmente, educacional – os jogos dispõem de um grande potencial para ensinar sobre inventividade, empatia, consciência e muito mais.

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